Parar de trabalhar porque estava grávida foi uma das más decisões da minha vida. Trouxe coisas muitas boas tal como tempo precioso de descanso e estou lá em casa em segundo em que a minha filha aprende algo. Contudo fez-me perder enquanto mulher, não me sinto realizada e é em grande parte porque não tenho um ordenado ao fim do mês. Digam o que disserem as mães a tempo inteiro nunca serão vistas como alguém que trabalha mas sim a mítica questão: "não tiveste tempo?fizeste o quê o dia todo?"
Eu nao era assim...
OK,continuo agarrada aos cêntimos e só compro baratinho mas estou sempre a comprar. Sei onde ir para por 10£ fazer uma grande festa e não resisto. Adoro a loja Tiger, hoje comprei um estojo lindo para a miúda, mais logo mostro a foto. E sapatilhas linda por 3£ e mega confortáveis (sim amor, Mega). Em Portugal ia aos chineses e muito raramente pois saia caro e eu era pobre. Agora que felizmente tudo corre melhor é a desgraça quero trazer tudo para casa. No sábado fomos conhecer o museu de História Natural e aquela zona tem lojas fantástica de decoração, adorei e tomará um dia poder ter uma bela casa e decorar a meu gosto.
Voltei a casa
As férias em Portugal de 3 semanas já acabaram há uma semana. E após as férias já se sabe é a roupa que acumulou, o pó e todo um conjunto de tarefas. Está semana nada fiz ver se a próxima corre melhor.
Falta de profissionalismo
Ora nem mais hoje não fui ao café onde tenho ido nas últimas semanas porque tinha de fazer análises e o papanicolau. O dito doeu e o meu humor está abalado. Resolvi ir tomar o pequeno - almoço junto ao laboratório, no café Snopao em Arcozelo. Eu venho cá mesmo muitas vezes, adoro os bolos, salgados e o pão. Hoje no entanto tive de reclamar quando após 25 minutos de espera não tinha nem o café na mesa nem a minha torrada com muita manteiga. Sério, 25 minutos!!! A sorte deles e que tenho aqui Fon grátis e aproveitei para falar mal deles no blog. Mas vou continuar a vir cá, porque os bolos, pão e salgados são maravilhosos!!!!
Profissionalismo
Há duas semanas que às 7 da matina venho ao mesmo café. Hoje não pedi nada e veio logo o café e copo de água ter a mesa. Um gesto que revela eficiência e atenção aos gostos dos clientes.
Sério?
O que leva uma mulher a postar uma foto sua de costas com umas super calças justas onde só conseguimos focar o olhar no rabo? E mesmo a provocar, a querer levar para outros pensamentos os homens. Depois queremos ser respeitadas. Há que saber estar primeiro.
Quase no fim as férias
E a saga repete-se. Vimos de férias e a miúda fica doente. E acabamos as férias em casa no meio de lágrimas sufocantes porque a porra do antibiótico sabe a leite azedo e a febre não desce dos 38 e num passo salta os 40. Tanta coisa de jeito que podia ter herdado, tinha logo de ser as amigdalites. Começamos aos 2 anos e em três meses vão 2, e fico triste porque a ben dizer não há como prevenir a bicha de as ter. Ser mãe de um filho doente e o papel mais difícil que alguma vez tive.
Sociedade Civil
Uma pessoa emigra quando a Rtp2 anda confusa sobre em que horário passar o telejornal da noite, ontem vi que agora é às 21h. Agora são 1:27 e está a dar a Sociedade Civil que costumava dar após o almoço. Não sei se é repetido mas tenho de tirar isto a limpo.
É que eu agora uso óculos senhores e portanto há toda uma carga intelectual que é suposto eu arcar.
Água com gás
Depois de beber uma média de 1/2litro de água com gás em Inglaterra diariamente, chegando a Portugal beber uma pedras é fraquinho. Onde está o gás naquilo?
Pedras troquei-te pela Carvalhelhos, muito mais feliz me sinto.
Factos
Hoje descobri o perfil no Facebook do primeiro homem que alguma vez beijei. Descobri que ele é muito bimbo, provavelmente gay e que felizmente passei a ter melhor gosto por homens com o avançar da idade. Onde é que eu tinha a cabeça? Esta noite vou ter pesadelos. É que o homem vai contra tudo que não tolero: músculos até rebentar, camisas de seda, penteado meio rapado meio espetado, sapatinho à fod****, pêlo do peito e crucifixo. Apetece-me afogar a cabeça na areia por esse erro do passado. É que tinha logo de ser a porra do 1 beijo, lembrar-me-ei para sempre. Chibateiem-me, hoje deixo!
Terrinha
Quando estou ausente há muita coisa que me passa ao lado, em 8 meses em Londres sinto-me totalmente em casa e quando aqui na terra me questionam é isso que respondo e ficam com ar incrédulo. Acho que se o emigrante não é um pobre coitado que só quer voltar para Portugal é logo sinalizado como "estranho". Em Lisboa nunca me senti em casa, em Londres foi quase imediato. Talvez porque faço um estilo de vida que sempre desejei e felizmente não passamos dificuldades financeiras o que faz muito ao caso.
Mas agora sabe-me muito bem vir à terra, há lugares que gosto de ir tomar o café e apanhar sol, a feira onde vou ver as pechinchas, o pão que é uma delícia no Snopao da Santa, as várias lojas dos chineses cheias de tralhas que nada interessam, as ruas cheias de buracos, as andorinhas, o baloiço no quintal, o café a 1.50 na aguda, o trânsito do Corvo, a passagem de nível horrorosa de Miramar, os vizinhos que dizem que estou airosa e mais magra, o pote dos rebuçados da minha tia, as longas conversas com a minha irmã, a relação fantástica da minha filha com os avós, o conduzir pela Granja e Miramar e sonhar que um dia hei-de ter uma casa assim juntinho ao mar e linda. Todas estas e muito mais coisas estão sempre guardadas no coração em fogo morno, quando chego a Portugal são elas que desejo fazer, tipo rituais que é preciso cumprir para a viagem e as férias serem bem sucedidas.
Juntei aos meus rituais ir ao parque infantil de Salgueiros onde a minha filha cavalga nos golfinhos com vista para o mar. Acho o local do parque fantástico, a brisa, o mar e já é algo nosso.
Tenho rituais com os amigos de sempre e que são nestes anos todos os mesmos, mas nos aconchegam a alma, porque se há algo que estimo é a amizade.
Se pensar bem na minha vida, sou feliz. Tenho uns pais que me adoram, protegem e ajudam. Adoram a neta e o genro. Os meus amigos são poucos mas nunca me falham. A minha irmã se fosse de sangue não sairia tão perfeita. A minha família é unida e estão lá para mim. O meu namorado não vive sem os meus beijinhos. A minha filha é tudo que desejamos e única. Ainda paro para apreciar as estrelas, sentir o cheiro do mar e outras coisas assim profundamente acolhedoras, por isso sim sou muito feliz!
Sempre firme
Chegada a Portugal já fui ao Dolce Vita das Antas e ao Gaia Shopping e mesmo vivendo em Londres há 8 meses achei o preço das roupas um absurdo. Umas calças banais 25, vestidos 50 até as leggins 8€. Não sei se é por gostar de feiras e Primark mas seria incapaz de pagar 40€ por umas calças sabendo que arranjo a mesma coisa por 10€.
Tenho espírito de pobre porque poupada não sou. Passo a vida a acumular coisas que não fazem falta nenhuma principalmente brinquedos.
A única coisa que de facto não me custa gastar é em livros, acho que é mesmo assim um amor maior que tenho por ler e não aprecio nada ler no reader.
Por isso continuarei a ir atrás de pechinchas, se vos interessar no norte a feira de Espinho a segunda é o local ideal e em Londres o PetitCoat Market (perto de Liverpool Street) ao domingo são os sítios a ir se querem gastar 10€/£ e trazer várias peças.
Custa.
Ela que nunca quer a mãe para dormir à noite quis a mãe. Hoje ao fim do dia deitada na cama sentiu falta do meu amor. O meu sexto sentido diz-me que é falta do pai. O pai não sei o que tem na cabeça. Estou danada com o pai, porque o pai hoje não ligou à filha nem à mãe e ela sente isso tudo e depois quer a mão da mãe para poder dormir.
Meridiano de Greenwich
Hoje fomos visitar o observatório de Greenwich e o navio Cutty Sark, ambas as atracções são pagas e julgo que o pacote nos custou 18£. Ambas as coisas levam pouco mais de 1h a ver de passagem, se lerem tudo e analisarem ao pormenor podem levar o dia inteiro. O navio a mim desiludiu, achei que iriam simular a vida a bordo, mas está fraquinho. Tem óptimos espaços para os miúdos, demonstram como viviam os que mandavam a bordo, mas tudo pouco elaborado. O observatório que também inclui outra casa que não me recordo o nome, do Capitão será?, talvez por não ligar a relógios, geringonças e cronómetros vi num instante e não voltaria a pagar para ver. Recomendo a esplanada do observatório ou o café The pavilion em frente, caros mas agradáveis.
Só sabe quem passa por elas...
A inveja que muita gente tem de não passar mais horas com os filhos. Tudo muito bonito quando o filho até se entretém sozinho e vocês têm uma Maria que vos limpa a casa 2x por semana e uns avós que de vez em quando ficam com a cria ou até vos convidam para jantar lá por casa. Agora quando são só vocês 24/7 que têm de fazer tudo é pois claro que a criança vai ter de gramar com a Peppa, o Ruca, o carteiro Paulo, o Babar e demais desenhos para que vocês consigam despachar tarefas. Há quem consiga viver sem tecnologias e os putos são uns prodígios no desenho e nas construções de legos mas eu por cá não tenho tempo para nada.
Ando há dias a querer aspirar mas parece que só o devo conseguir após as férias, assim como assim, a casa vai ficar a ganhar pó.
Ele é roupa para passar que me vai levar uma tarde, roupa a lavar todos os santos dias, comida para fazer, compras, malas para preparar, passeios com a miúda, namorar com o pai, cursos online, caminhadas. Os meus dias são sempre a abrir. Paro a esta hora, entre as 20-21h e estou tão estafada que só aguento os olhos abertos até às 23h. Acordo após as 7h e não há descanso. Só para terem ideia hoje mudei 5 fraldas de Cocó, que cada uma tenha levado 10 minutos, foram 50 minutos só nisto.
É bonito ser mãe a tempo inteiro com muita ajuda pelo meio familiar, assim nos meus modos é coisa para vos deixar malucos!
Tempo em família
O meu mais que tudo trabalha demais. O horário dele é das 9-17h mas ele faz das 8:30 às 17:30 assim na maioria dos dias ou bem pior tipo 8-21h. Por isso muitas vezes zango-me com ele, porque a vida ensinou-me que os patrões não valorizam os esforços dos funcionários. Ele não me liga e lá prossegue e diz que adora o que faz. O meu amor chega a casa e passa mais umas 2h em média em frente ao PC a fazer trabalhos... Nas 2h diárias que está com a filha mete muitos trabalhos pelo meio e muita pouca brincadeira. A maioria das pessoas acha que tem o nível que dedica ao trabalho bem equacionado face ao tempo familiar. É mentira. Facebook, blogs, Twitter, LinkedIn, YouTube e emails, isto extra trabalho.Se dedicarmos 1 minuto a cada um, vão 6, isso várias vezes quando estamos junto à nossa família vão ene minutos. É difícil não ouvir o pipipi do tlm e ir ver, é complicado desligarmos do exterior. É impossível estar tão presente como gostaríamos porque distraimo-nos a toda a hora. Já aconteceu e vai continuar a suceder se não pararmos para pensar a Lai estar junto a um de nós a pedir atenção e nós pedir-lhe que espere. Fico sempre danada com ele quando isso acontece e respiro muito e conto até 100 mas mas eu também o faço às vezes. Temos poucos anos deste amor incondicional maravilhoso antes dela ser corrompida pelo mundo, temos de desejar cada segundo. Tento mesmo muito estar sempre com ela, quando preciso fazer tarefas é danado ela ter de "ficar sozinha". Agora ando a fazer vários cursos online em simultâneo e o tempo é pouco para cumprir os prazos. Não me servem de nada, apenas aprendo um pouco mais. Acho que preciso repensar assim como ele as minhas prioridades, aquilo que no futuro quero olhar para trás e relembrar.
Quem acompanha o blog já deve ter reparado que volta e meia reflito na vida e tento mudar, temos muito que pensar sempre e eu tento sempre fazer o melhor de mim em tudo. Sinceramente quase sempre dura pouco, mas alguma coisa vai ficando.
Mercado de produtores
Ao fazer tantos cursos online sobre nutrição saudável alguma coisa vai ficando e vou querendo melhorar o meu nível de alimentação para algo mais saudável e sustentável. Hoje nesse âmbito fomos pela primeira vez a um mercado de produtores. Havia legumes, frutas, carne, peixe, ovos, queijos, leite, compotas e pão. Era tudo inglês e eram os próprios produtores locais que lá estavam a vender. Compramos espargos, morangos e salsa (como vou de férias não valia a pena trazer mais nada). Não percebo nada de cada época dos vegetais mas comparado com o Asda gastamos umas 5£ a mais, fora as viagens até lá que fica em Blackheath. Provamos os morangos ao lanche com flocos de aveia e eram deliciosos. Fiquei de coração preenchido de saber que consigo ter uma pegada ambiental menor e contribuir para a economia local.
Passeios a 3
Passear em Londres sai caro se incluir refeição. Também não se come lá muito saudável. Mas todo o ambiente cosmopolita inspira a gastar. Num dia de sol como hoje quer-se comer numa esplanada onde sabemos que pagamos os olhos da cara bem no centro de Londres. De seguida, enfardamos uma fatia mega calórica de bolo com um café que custa mais que 6 pacotes de leite. A vida em Londres tem sido fantástica. Em Portugal estas loucuras estavam guardadas para comemorar aniversários, aqui isto não nos mexe com o orçamento nem temos de cortar em algo para o poder fazer. Emigrar pode ser algo bom em muitos aspectos.
Pequenos prazeres
Ao viver em Lisboa durante 7 anos ausentei-me dos amigos e da família. Éramos os dois a maioria do tempo. Ao trabalhar a 10 minutos a pé de casa e ele a 16 km, era eu a maior parte do dia e o silêncio. Como trabalhei sempre no máximo umas 20h por semana, há excepção de quanto fazia manhãs no público, tardes nas AEC's e explicações num centro sempre passei muito tempo em casa. Raras vezes fui passear na baixa, o mais habitual era ir ao Vasco, shopping. Vivi na Bobadela, na mesma casa por 7 anos. Adorava a zona, extremamente segura, num T3 espaçoso com vista para o Tejo. Como era lá professora toda a gente me conhecia, mas mal entrava em casa aquela sensação de UFA cheguei. Podia ficar deitada no sofá só a relaxar, ler um livro, ver TV, cozinhar durante horas, fazer ginástica, banhos maravilhosos de imersão... Tinha muito tempo só com a casa para mim e no mais profundo silêncio. Em 2012 fiquei pela 1x, 3 meses sozinha em Lisboa, ele esteve ausente em trabalho. Achei que ia odiar mas pelo contrário, tive ainda mais tempo livre, mais silêncio, amei cada segundo. Quando grávida de 6 meses ele se ausentou por mais 3 meses foi para mim ponto assente que só aceitava companhia quando faltasse 1 mês para parir. Não estive a trabalhar desde os 3 meses de gravidez. Não me custou nada passar dias e dias sem falar com ninguém a não ser no Skype. Passei imenso tempo sem pôr os pés na rua. Descansei imenso e não me senti nada sozinha. Depois a minha vida deu a volta com a Lai. Não há minutos de solidão com uma bebê, nem de silencio. Ao fim deste tempo é ainda muito difícil, muitas vezes impossível, ter tempo para mim apenas. A forma que encontro é quando ele e ela dormem eu deixo-me ficar mais 1h no silêncio. Leio os meus blogs, escrevo posts, vejo TV. Ela dorme às 20-21h por isso ainda consigo encaixar a ginástica aí e algumas vezes os cursos online, mas na realidade o que mais me apetece sempre fazer logo ali às 20h é enfiar-me na cama a babar para a TV. De modo que este silêncio de ressonares é quando a minha alma se restaura do dia. Que vejo tudo que alcancei e onde podia ter sido melhor. Hoje posso-vos dizer que reparei que apanhei um escaldão na cara e tenho as mãos muito secas. Coisas assim banais que no corre-corre podem nos passar ao lado. Cada dia tento ser melhor mãe, namorada, filha e amiga do ambiente. Hoje foi um dia bom 90% do tempo, mas são aqueles 10% que me aborrecem e me fazem questionar.
Tenho sono, amanhã é domingo, daqui a 15 dias vou 3 semanas para Portugal. Espero não enlouquecer com a falta de silêncio. Quando nos habituamos a nossa concha, é difícil enfrentar o resto do mundo.
Isto já está a filosofar demais, tenho sono é só isso, uns dias dá-me para chorar noutros escrever textos sem nexo. Bolas!
Filhos e Portugal
As últimas notícias que vejo de Portugal são sobre crianças/jovens que desapareceram. Nunca vejo notícias de que reapareceram. Se eu estivesse em Portugal, mãe que sou, estaria de momento muito preocupada. Não sei se é devido à crise familiar ou económica, se é porque graças aos meios de comunicação tudo se sabe instantaneamente, se é porque anda tudo maluco. Mas as notícias deixam-me alarmada e eu nem vivo mais em Portugal.
Esta semana os casos de bullying foram os mais falados. Acho atroz alguém agredir outro e pior ainda que pela internet o bullying verbal esteja instaurado. Basicamente atira-se pedras ao criticar quem atirou também pedras, um péssimo conceito.
Andamos todos insatisfeitos, cansados, stressados. As relações caem por terra, os filhos batem nos pais, os pais insultam os filhos, os professores ganham depressões, o ministro vai de férias e os bebés comem chupas-chupas.
E eu, pela parte que me toca faço erros todos os dias e às vezes lá paro para remediá-los. Na maioria das vezes sou política, safo-me com um pedido de desculpa e promessas...
Chulé
Deve haver qualquer coisa que impede os indianos de deixarem os sapatos quietinhos nos pés quando se sentam. O metro, de repente, ficou aromatizado.
Lágrimas
Quando virei adulta, me transformei em alguém que rapidamente chora. Até aos 20's tinha uma força de pedra, na faculdade muito pouco alguém me viu chorar. Com os desgostos da vida as coisas mudaram e com as hormonas da gravidez pifaram de vez. Mal engravidei o exponente de lágrimas cresceu proporcional às vezes que vomitava ao dia. Como foram 9 meses do demo passei muito tempo a chorar. Mal dei à luz a minha saúde ficou tão débil que fiquei de rastos. Imaginei o fim da relação, chorei porque ninguém me entendia e porque me sentia sozinha com uma bebê que só chorava. Foi imensamente difícil lidar com as mudanças que a minha vida sofreu. Passei a chorar semanalmente pelo menos 1x mas se penso muito sou moça para chorar todos os dias. Com a gravidez os meus problemas de saúde aumentaram consideravelmente não sei se consequência ou coincidência. Decidi ficar por casa com a minha filha e cada vez me convenço que não foi a melhor opção para mim. Tenho uns pais conservadores que não acham correcto a forma como educo a minha filha e um marido que acha que sou má mãe. Imaginam o que custa escrever isto. Constantemente me diz que não sabe como não consigo a ou b quando ele consegue e tudo funciona. Assim a modos que este papel não me deve assentar e quem é mais importante na minha vida acha que o faço mal.
Não. Portuguesa.
Todas as semanas conheço alguém brasileiro. Depois de me verem a falar com a Lai aproximam-se e é sempre isto que perguntam:
-Você é brasileira?
De todas as vezes concluo que o meu rabo é mesmo muito grande.
Pais do demo
Hoje a Lai quis ver o filme, O livro da Selva. Deixei-a na sala e fui até ao WC. Uns minutos depois vai lá ter CMG a pedir-me que fosse a sala. Como estava ocupada comecei e tecer comentários. Estás com medo?O jaguar não vai fazer mal.Os monstros não existem.Eles já vão ficar amigos. E a miúda que pouco se expressa ali esperou que eu me despachasse. Lá fui ver o que se passava e afinal era só o DVD que tinha parado a imagem. E pronto lá induzi eu à miúda traumas desnecessários. Lição aprendida, não tirar conclusões precipitadas!
Caminhar
Há duas semanas andei muito. Sai de casa pelas 9 e só voltei perto das 14h. Fiquei mesmo cansada, custa empurrar o carrinho e nesse dia estava calor à mistura com vento. Fui de minha casa a Woolwich a pé. Indo pelo DLR (metro a superfície) é longe por isso sabia que tinha andado mesmo muito. Hoje finalmente fui pesquisar, fiz perto de 10 milhas, qualquer coisa como 16km.
Juro que fui confirmar se estava a ver bem. É que fiquei cansada mas no outro dia voltei a carga e andei mais umas horas. No verão de 2014 fazia no máxima 8km a empurrar o carrinho e ficava bem cansada. Agora consigo fazer 16km assim em jeito de passeio. Faz 1 ano em Junho que iniciei a dieta e com ela a decisão de que andar a pé seria o meu exercício regular. Consegui perder 10kg andando a pé e regulando o que como. Sinto que estou viciada em andar, há tantos sítios a conhecer a pé, aprecia-se muito mais a natureza.
Numa semana ando por norma 5x a pé num mínimo de 2h. O mais normal são 4h. Ando bem devagar, sempre foi esse o meu passo, mas devagar se vai ao longe.
Consigo perceber esta moda do correr, porque comigo o andar está a ser igual. Ontem dei por mim a ir para o centro de Londres sozinha, caminhar. Não ia fazer nada nem ter com ninguém, somente não fui capaz de ficar em casa parada.
Apesar de andar muito há quase um ano e pouco ficar cansada independente dos km que faça, na verdade tenho pouquíssima resistência. Como ando devagar porque vou a empurrar o carrinho quando é preciso acelerar o passo fico rapidamente sem fôlego. Isso chateia-me, não consigo ir mais rápido porque tenho tendinites em ambos os braços e custa-me horrores levar o carrinho mas seria de esperar que mesmo andando devagar fosse melhorando a minha capacidade física.
Como tal não aconteceu e já lá vai um ano não tarda volta e meia faço exercício. Nos dias que correm sabe-me bem após o jantar, ela dorme, ele no computador, há silencio... Ideal para yoga.
Acredito que o facto de só ter recuperado 1kg desde Fevereiro apesar das quantidades de porcaria que fui comendo se deve às minhas caminhadas.
Adversidades
Eu não sei o que é subir ao altar, fazer uma festa para os meus ou ter um anel no dedo. Sempre disse que mais depressa tinha um filho do que casava. Cumpri. Estamos juntos há 13 anos e ainda hoje sei a bênção que isso é, o que significa e o que custa ter uma relação tanto tempo. Ainda hoje ele está sentado ao meu lado, enquanto ambos estudam cada um no seu pc e sinto uma vontade louca de o beijar e acariciar. Ele é o meu porto de abrigo. Ao fim de tanto anos cada momento que estamos ausentes, eu só desejo que ele regresse e morro de saudades. Temos dias maus, alturas que discutimos, somos a antítese do outro. Nunca estamos de acordo com nada e é difícil achar o meio termo e mesmo assim no fim rir de toda a situação. Ontem decidimo-nos a tentar viver melhor, melhores escolhas alimentares. Ele fez a limpeza a junk food da casa, eu ditei o tamanho das doses e que ao jantar nada de carne ou hidratos. Há 5 anos que tento leva-lo o só jantar sopa, pois sei que é aí que desgraço a minha saúde, finalmente ele cedeu. Eu também cedi, acabou-se a carne processada e as bolachas. Adoro este homem, adoro aquilo que superamos até hoje como casal e o que conseguimos. Aos 20 não se sabe nada da vida mas sem dúvida que para nós foram as batalhas que aí soubemos vencer juntos que nos fizeram chegar aos 30 tão bem.