Eu atraio gente estranha
Pernas agitadas
Eu escrevo textos comuns sem palavras caras, rara pontuação e meros desabafos. Mas adoro escrever, é aquela sensação de lençóis brancos a secar ao sol esvoaçando. A alma esvazia e fica só uma serenidade, a calmaria. Nestes dias parece que tudo que me resta é nas palavras buscar conforto. Quando ando ocupada, vivendo ao máximo nem me lembro do blog. Ouço música clássica, devoro mais um livro, penso obcecadamente em comida, vejo o telemóvel a cada cinco minutos e o relógio não é gentil. O tic-tac parou, gozando comigo. A música ganha sons graves o que só prova o meu drama. Gosto de mares agitados, de conversas que se atropelam, de barrigas inchadas de comida farta, de gastar as solas dos sapatos. Sou bicho irrequieto cheio de energia.
Is around us
Winter vs Spring
O que visitei em Paris
Vida triste
Os que deveriam cuidar neste país são quem agride, quem lucra, quem rouba. Não consigo dormir.
As mães e pais de primeira fila
Uma semana volvida já posso dizer que sou mãe de uma miúda que anda na escola, o que faz de mim uma expert claro!!!
Uma semana volvida e já sei a lei da selva escolar. Elas e eles chegam cedo ficam pelo pátio da escola à espera que a porta para ir buscar os filhos se abra. Quando se abre elas abrem as asas de dragão e voam para dentro da sala. Não há cá tolerância por quem estava junto a porta para entrar, não há prioridade para grávidas ou bebés de colo. É a loucura. Creio que é um medo que nos minutos que levam a entrar e segurar os catraios eles possam eventualmente bater as asas e voar.
Há 2 portas a ultrapassar até vislumbrar os cachopos. É pior que o IC17 a uma sexta às 18h quando é feriado na segunda. Para os do norte a comparação será ao Nó de Francos quando há promoções de 70% no Norte Shopping. Fica ali tudo meio parado meio a andar, muito choque e suores frios causados pela adrenalina.
Não sei porquê estes comportamentos assim ao fugir para o selvagem, quero acreditar que é uma coisa dos pais que adoram os filhos e furar filas.
Como eu fico educadamente à espera da minha vez e segundo esta teoria cientificamente comprovada concluo que devo gostar pouca da Lai.
Uma semana volvida
Mentalizei-me durante meses que a miúda iria andar um mês a chorar baba e ranho com a ideia de ir pá escola. Passou-se uma semana e até ver nada. Teve dois episódios de choro porque caiu e a minha filha é a rainha do drama.
Mas para dizer que esta semana entrei com outro espírito no processo "filha ausente e agora?". Foi então uma óptima semana que dediquei a mim sem pressas. Sentei-me em bancos de jardim, tomei café com uma amiga, um copo do branco com outra, fiz compras, limpei qualquer coisa, fiz exercicio. Sinto que tive uma excelente semana.
E ela sente isso e por me sentir tão bem ela passou as manhãs a brincar com a mãe, comeu direito, dormiu cedo e brincou horas intermináveis no parque, fez piqueniques lambareiros, comeu gelados e foi totalmente feliz.
A minha atitude é portanto de paz comigo mesma. Já conseguimos gerir melhor o facto de ter de almoçar as 11 e todo o processo que se segue sem birras, eu já não fico a olhar para o telemóvel a cada segundo com medo que me peçam para acudir a miúda na escola ou pior no hospital, não me cobrei o facto de ter a casa em pantanas com uma filha na escola. E um processo, lido com ele como posso, próximo etapa é criar uma rotina pessoal porque convenhamos as coisas não vão aparecer feitas...
Que seja sempre feliz!
Há uma pessoa neste mundo que sempre que vejo está feliz e eu sorrio de todas as vezes que sinto isso.
A vida dá muitas voltas e cada dia nos consegue surpreender.
Hoje foi um dia muito bom, muito cansativo e muito produtivo. Amanhã é dia de ir às francesinhas em Londres, quiçá uma nova tradição de sexta-feira santa!
O dia teve um momento estupidamente triste, aliás 2. O primeiro quando percebi que estou quase a ver a novela Tieta toda, o segundo quando ao procurar uma receita no meu blog de culinária vi que este ano ainda não publiquei nada.
O único senão da maternidade é está falta de tempo para tudo o que gostaríamos de poder fazer porque há sempre outras prioridades mais importantes.
Novos mantras
One in one out:
Basicamente por cada coisa que comprar, uma tem de sair de casa da mesma secção.
Sinais de amor pela casa:
Cada vez que me apetecer gritar com a Lai irei ver os corações de amor e parar para me acalmar.
O termo que escolhi para 2016 é clutter, em português, tralha! Ando fascinada com vídeos de organização e destralhar.
Ainda não perdi 1grama desde que vim das férias, aterrei com 63.8 e ainda não os larguei.
Desespero
Antes de ser mãe havia uma série de situações que eu tinha definido, a saber :
- a criança não come porque os país não a obrigam
- como é que alguém pode bater numa criança
- o que levará alguém a matar um filho
- as crianças não tem maldade nenhuma
- a criança deve ficar em casa com os país até aos 3 é o melhor para elas
- não trabalhar e educar um filho é o melhor do mundo
- nada se resolve aos berros ou com ameaças
- as guloseimas são apenas para dias de festa
- a TV não serve para os entreter
Depois fui mãe, sou-o há quase 3 anos. E todas as coisas que não entendia fazem sentido. Todos os dramas que sucedem numa família com a chegada de um filho eu já entendo. Porque não há trabalho mais exigente, tarefa mais complicada e sem horários nem meta definida como a maternidade. Mexe com o casal, traz muita dor de cabeça e não devemos julgar ninguém.
Esta mãe que se tentou matar não deve ser julgada, ela pediu ajuda, ela fez o que nos ensinam a fazer e Nada a ajudou. Esta mãe nunca mais irá ter paz e ela só precisa de um amigo. Consigo imaginar o que ela sentiu, a força e coragem para ver na morte a única salvação. Sinto uma imensa pena de não ter havido quem lhe desse a mão. E uma vez mais é o sistema que falha chutando a bola para outro organismo e a pessoa vê-se desesperada, acumula em si toda a tristeza do mundo mas, como sobreviver quando os nossos filhos são espelho de dor, sofrimento e agressão... Sou incapaz de condenar esta mulher, sendo verdade que o marido era um agressor e que ela pediu ajuda às entidades competentes.
O karma é tramado
Hoje chegámos a Portugal depois de um voo atrasado porque o espaço aéreo francês está fechado,pelo menos para este voo esteve. Uma viagem que não chega a 2h passou para 3h.
A Lai não queria estar sentada mas até não se portou mal. A senhora do banco da frente do alto dos seus 30 e muitos anos desde o início da viagem lançou-nos olhares de ódio. Mal percebeu que íamos atrás dela foi como se o mundo dela ruísse. Várias vezes bufou quando a Lai fazia o banco dela mexer e olhava para nós de soslaio.
Como a vida é tramado eis que ela virou a bebida fofinha dela no vizinho da frente e do lado mesmo após nos ter dado o seu melhor olhar de nojo. Tive tanta vontade de bater palmas.
Ah pessoas sem espírito natalício e de mal com mundo, andem a pé!!!
Na minha pequenez
Eu não sou ninguém no mundo. Importo mais que tudo à minha filha de resto sou substituível, ultrapassada. Ninguém depende de mim para viver ou fazer algo. É a lei da vida. Todos somos dispensáveis. Isto a propósito dos vários medos que sinto desde que as ameaças terroristas vieram para ficar em todo e qualquer lugar. Se eles querem impor o pânico, a desconfiança comigo já ganharam. Não há dia ou lugar que não ache que vá morrer. O bendito helicóptero continua a ameaçar/zelar pela minha segurança por cima do meu tecto.
Penso 5x antes de gostar/publicar/expor opiniões religiosas/políticas no Facebook e já senti que estava a ser vigiada. Não consigo ser inocente quanto ao que fazemos nos media. O meu mais que tudo é engenheiro, ele faz o obséquio de me abrir os olhos e contar tudo que é possível. Todos somos alvos do Grande Irmão, vê-nos, estuda-nos, ouve-nos.
Vocês podem achar que estou doida, eu apenas prefiro ver as coisas como elas são do que cair em erros.
Há uns tempos fiz aqui um post com termos ditos linguagem suspeita, nesse mesmo dia tive um pedido de amizade no Facebook suspeito e acham que foi coincidência? Lamento para mim foi um check ao meu perfil, a mim que sou um Zé ninguém.
Não paro de me admirar
Sempre achei que sabia algo do mundo, não que tenha viajado algo ou a algum sítio de jeito mas porque vejo TV, leio e uso a internet e caramba vivo em Londres há 13 meses, também conta!
No entanto, todos os dias neste país me acho ignorante. Talvez esteja mais curiosa porque tenho amigos de tantos países diferentes agora e procuro informar-me sobre a sua cultura. Da mesma forma quando cheguei a Londres senti necessidade de perceber o porquê de haver tantas maneiras diferentes de usar o véu e as distintas roupas. Sou curiosa e graças à internet o saber mais está à distância de um clique.
Não há dia que não aprenda algo, por exemplo, descobri que 1 em cada 6 ingleses nunca cozinhou uma refeição inteira. Fiquei a saber que há muitas muitas, demais crianças de 6 anos neste país que nunca provaram nada que não tivesse saído de um pacote pré-feito.
Fico assombrada com as coisas que vou descobrindo, vi também uma reportagem que em média, no conforto do lar, os ingleses emborcam cerca de 3 a 5 garrafas de vinho por semana.
É tudo tão diferente da realidade com que cresci, daquilo em que acredito e que defendo que nem acredito como a maioria é possível.
A maior parte das vezes sinto que andei de olhos fechados estes anos todos, há lugares no mundo onde parece que o tempo parou no século XIX e se vive em clima de medo, aprisionados, insultados. Estou apalermada com tamanho preconceito e ignorância.
Constatações
Nos últimos meses tenho-me superado e não imaginam como isso me deixa feliz. Cada meta que alcanço faz-me ver o quão determinada posso ser.
Nem que chova sapos amanhã levo o último dia da detox até ao fim!
Planos
Acho que nunca falhei um compromisso ou um plano. Talvez por isso fique tão triste quando me falham vezes e vezes sem conta.
Vou às compras sozinha.
Hei-de ultrapassar isto
Parar de trabalhar porque estava grávida foi uma das más decisões da minha vida. Trouxe coisas muitas boas tal como tempo precioso de descanso e estou lá em casa em segundo em que a minha filha aprende algo. Contudo fez-me perder enquanto mulher, não me sinto realizada e é em grande parte porque não tenho um ordenado ao fim do mês. Digam o que disserem as mães a tempo inteiro nunca serão vistas como alguém que trabalha mas sim a mítica questão: "não tiveste tempo?fizeste o quê o dia todo?"
Aos 31
Não realizei a maioria dos sonhos que tinha aos 21. Alcancei poucos sucessos e fracassei muito. Olhando para trás em 10 anos a vida deu tantas voltas. É altura de pensar nos sonhos para os próximos 10 anos, quem sabe se resultam...
Em 10 anos consegui uma boa relação com o meu mais que tudo,uma filha maravilhosa, formar-me no ensino em Coimbra, dar aulas, frequentar um curso de inglês e fazer algumas viagens. Não tenho carro como achei que teria nem uma boa conta bancária pessoal porque emprego nem vê-lo desde 2012. Vamos lá ver as coisas de forma crua é mesmo por não ter independência financeira que me sinto chateada, tivesse eu herdado uma fortuna ou ganhado o euro milhões e não haveria tempo para lamentações.


