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Pacote completo

Arranjei trabalho, aliás arranjei mais trabalho do que aquele que já tinha. Arranjei um trabalho que me paga pelo que faço. Portanto mais coisas na lista da mulher perfeita. Ser dona de casa não é bem visto na sociedade logo agora passei de "sério não trabalhas e a miúda está na escola?" para "não sei como consegues trabalhar e fazer tudo o resto". Não se consegue. Sinto-me totalmente exausta, ao fim do dia só quero esquecer que o mundo existe e dormir. Mas a minha realidade é diferente, passa por banhos, jantares, birras, namoro, amigos, limpezas, TPC, mais birras, roupas..  O meu dia continua o mesmo, as minhas tarefas também e portanto o que tenho é mais trabalho e menos descanso.
A minha maior admiração vai para as mães solteiras, eu não conseguia.

I, him and Lai

Os primeiros tempos pós-parto foram muito difíceis. Não sei se tive depressão pós-parto se não, só sei que andava impossível. Tudo que ele fizesse me punha a chorar, nada estava bem. Senti a minha vida ir pelo cano com o nascimento da minha filha. Demorei a sentir que era mãe e que a amava mais que tudo no mundo. As dores que tive físicas quer do parto, quer da amamentação em muito ajudaram a esse estado, bem como a privação do sono. Estava um caco, sentia-me um caco. 
De repente éramos 3, sendo que a Lai dependia de mim constantemente e nunca foi uma criança muito fácil. O choro das cólicas dela punha-me com os nervos em franja pela minha incapacidade de a ajudar. Achava que o meu mais que tudo não fazia o suficiente e como ficámos sozinhos 15 dias após o parto a minha vida tornou-se em trabalhos constantes. 
Temi pela minha relação, queria muito amor da parte dele e ele não sabia o que me fazer, pois tudo que tentasse eu passava-me e era mal recebido. Ele também se sentia assoberbado neste seu novo papel, mas eu achei que só eu tinha direito a estar mal e insegura. Falámos do que nos aconteceria se as coisas não melhorassem. 
Foi uma fase de lágrimas, de solidão, em que senti que o mundo se tinha virado contra mim. Estava assoberbada de tarefas, não senti logo aquele click de ser mãe e auto-mutilava-me por isso. Durante bastante tempo culpei o meu pós-parto de me sentir assim, culpei-o a ele, culpei as hormonas, culpei o facto de não ter ajuda, culpei todas as outras mães sortudas, culpei tudo tudo tudo. Via as outras lindas e maravilhosas 7 dias após o parto às compras, vi as suas barrigas para lá de lisas, via os seus bebés que nunca se vomitam, via que diziam que não lhes doía amamentar, via tudo à minha volta e ficava de rastos. Acho que andei neste estado caótico 1 mês pelo menos. Fiz-me de forte e apenas ele sabia como me sentia, mas não me conseguia ajudar. 
Quando ele regressou ao trabalho as coisas começaram a compor-se, tomei as rédeas da minha vida. Meti na cabeça que não era uma mártir, nem a primeira a sentir-me assim. Amava a minha filha e a ele mais que tudo mas tanto negativismo estava a estragar belos momentos. Pus ordem na casa, horários na miúda e objectivos pequeninos para os meus dias. Decidi que a minha relação tinha passado maus momentos mas não porque ele não me amasse mas sim porque ter um filho leva a este choque normal na nossa vida e como tudo demora a adaptar-nos. 
Hoje posso-vos dizer que a nossa vida é perfeita. Somos felizes, aqueles traumas do "divórcio" foram apenas devido ao stress que se gerou com as mudanças. Amamo-nos, adorámos a nossa filha e ela cresce num lar feliz. Não temos discussões, ele já percebe quando chega a casa se o meu dia foi entre choros e colo e toma conta da situação para me aliviar um bocadinho do stress. 6 meses volvidos e tudo vai bem. Tive muito medo que ter um filho desse cabo da nossa relação, mas não, apenas nos pôs à prova e tornou-nos, como deveria ser, mais felizes e unidos.


Divergências

Ele- Eu vejo as outras crianças todas de casacos e camisolas. Chego a casa e a Lai está de vestido e fralda!

Eu-Ainda não está frio!

Hoje o pai vestiu-a:camisola polar,meia calça e vestido.E ela nem saiu a Rua!

Mulher sofre

1
-Bom dia!Olha que fizeste à divisão separadora da caixa onde estavam as tâmaras? 
-Oh quando mandei para o lixo deve ter ido tudo! 

2
- Olha onde está a mola de prender o saco do plástico, só cá está uma!
- Quando tirei o saco só tinha uma...
-Não tinha duas, mandaste a outra para o lixo.

3
- Mexeste no prato do bolo?
- Mandei para o lixo, só faz mal!

4
- Mor, não havia massa folhada?
- Não me apeteceu ir buscar!
- E manteiga?
- Também não!
- Sabes se estava na lista é porque era preciso!

5
- Tratas tu disso?
- Sim!
- Coloca em água a ferver com lixívia senão depois não sai!
- Ok!
...
- Aquilo não saiu nada porque não puseste água quente nem lixívia!

O meu jovem é a descontracção e o despiste em pessoa, e eu respiro, respiro, respiro!!!