Mostrar mensagens com a etiqueta dona de casa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta dona de casa. Mostrar todas as mensagens

Pacote completo

Arranjei trabalho, aliás arranjei mais trabalho do que aquele que já tinha. Arranjei um trabalho que me paga pelo que faço. Portanto mais coisas na lista da mulher perfeita. Ser dona de casa não é bem visto na sociedade logo agora passei de "sério não trabalhas e a miúda está na escola?" para "não sei como consegues trabalhar e fazer tudo o resto". Não se consegue. Sinto-me totalmente exausta, ao fim do dia só quero esquecer que o mundo existe e dormir. Mas a minha realidade é diferente, passa por banhos, jantares, birras, namoro, amigos, limpezas, TPC, mais birras, roupas..  O meu dia continua o mesmo, as minhas tarefas também e portanto o que tenho é mais trabalho e menos descanso.
A minha maior admiração vai para as mães solteiras, eu não conseguia.

3 anos

Há 3 anos por está altura estava grávida de 2 meses, não me segurava em pé, tinha passado o último mês a fingir-me "não grávida" no trabalho acartando caixas de livros super pesadas e não podia mais. Tinha decidido não leccionar nesse ano, recusando o emprego de sempre e queria ficar em casa. Podia receber subsídio de desemprego, depois combinava com a licença de maternidade e portanto parecia bem. Até aos 5 meses de gravidez foi sem dúvida uma bênção porque não fiz mais nada senão vomitar, andava morta. Dos 5 aos 9 andei entretida a organizar tudo, passou a voar. Os primeiros 6 meses após ela nascer andei a tentar criar-lhe rotinas, horários, amamentar e protegê-la do frio. Dos 6 até  aos 12 meses ensinei-a a comer, a dar passeios ao ar livre, a apanhar flores e a dormir sozinha. Após ela já ter mais de 1 ano é que percebi que era mãe, já não era a Andreia. Ninguém queria saber se o dia tinha sido mau, se queria desaparecer e havia dias que achava que ninguém me ajudava.  Dos 12 meses aos 17 passavam o tempo a explicar-me que ela não andava por minha causa, não falava porque não a ensinava e que tinha de lhe cortar o cabelo. Aos 18 meses convenci-me que ia enche-la de brinquedos, roupas, pô-la a lidar com outras crianças e ir ao parque diariamente. Dos 18 aos 31 meses continuam a acusar-me que ela não fala porque não a ensino, que chora muito porque é culpa minha, que não vai ao pote porque não perco horas nisso. Ah e que o cabelo ganha nós porque não penteio a toda a hora. Têm passado a vida a explicar-me que sou muito má nesta tarefa, talvez nunca a Lai venha a ser médica porque não a levei a passear em hospitais... Aos 21 meses decidi não lhe gritar e aos 25 pô-la a estudar porque em Inglaterra os meninos são avaliados. Ensino-lhe as letras, números, tempo, português, inglês, cores, artes. Uma parvoíce na minha óptica mas parece que assim agrado toda a gente, mas ela ainda não aprendeu nada do que lhe ensino. Ela passa 10h acordada ao dia e nesse tempo temos os passeios, o parque, as manualidades, a culinária, as brincadeiras do faz de conta. Entre muito choro, birras, fraldas e tarefas domésticas. Não há dia que não ande de rastos e é nisso que diferem as mães que trabalham. Elas não sentem está urgência de serem mães e educadoras o dia inteiro. Entreter uma criança é difícil. Ah e a televisão é para mim apenas ligada quando já não posso mais, quando não consigo conjugar tudo. Percebem o quanto exigente sou comigo.